Fluxo de Produção

Talvez no início da jornada da ECONOMIA PARTICIPATIVA tenhamos que refazer a pergunta sobre quem nasceu primeiro. «Quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha?» , ou “Quem inicia o processo econômico? A RENDA ou a PRODUÇÃO?”

Ambos elementos envolvidos na pergunta estão entrelaçados e totalmente dependentes um do outro. O ovo dependente da galinha e a renda dependente da produção. Não há um porquê produzir se não há renda para consumir, assim como se não há produção não há renda gerada. Da mesma forma, para de um ovo resultar numa galinha é preciso de um galo, de uma fecundação do ovo, de um período de incubação até que haja uma outra possibilidade de galinha. Não se responde uma gama de variáveis envolvidas num processo em uma simples resposta objetiva.

Talvez a apresentação dos fatores de produção TERRA-TRABALHO-CAPITAL e TECNOLOGIA possa dar uma explicação para a evolução temporal da Economia de forma Geral.

Precedendo todos os demais fatores de produção. A TERRA sendo considerado a existência de alguma coisa possível de se agregar a ela algum tipo de TRABALHO realizou uma primeira fase ou estágio da economia primitiva. Enquanto todas as coisas, TERRA,  era de todos e nada era de alguém, o TRABALHO era de cada um e dele dependia a produção econômica e a sobrevivência da espécie humana.

Assim começou a sociedade a se desenvolver. Eu presumo. Impossível ir além da intuição para saber como os homens primitivos se alimentavam ou realizavam algum tipo de produção e trabalho individual ou coletivo. Certo é que havia plantas, animais por sobre a TERRA e estes eram os recursos disponíveis. Com algum TRABALHO podiam colher, caçar, pescar e mais tarde até cultivar e criar animais para seu consumo e até uma geração de renda.

Ao se estabelecerem em grupos desenvolveram, provavelmente, os seus primeiros mercados onde se trocava comida e outras mercadorias – peles , ferramentas – armas – por trabalho ou serviços. Nada diferente dos tempos modernos. A sofisticação hoje se dá apenas com o aumento das variáveis envolvidas. Hoje temos milhares de produtos ou mercadorias disponibilizadas, milhões de consumidores, uma força de trabalho quase infinita e, em razão da diversidade de interesses nas trocas e da impossibilidade em combinar tantas variáves de valor para estas trocas foi instituído uma REPRESENTAÇÃO de VALOR a qual se deu o nome de MOEDA.

A função da MOEDA neste mundo mais complexo de relações de troca – MERCADO – é a facilitação dos negócios. É a MOEDA um padrão de refercias de valor. A MOEDA está para a ECONOMIA PARTICIPATIVA exercendo a função de qualquer unidade de medida tipo: metro, litro, quilo atribuindo tamanho, volumes, densidade em produtos em escala numérica.

Neste mundo de representações a MOEDA conquistou um espaço de referência de valor.

No decorrer da evolução da humanidade tivemos milhares de anos em que a função de predador da Natureza e até mesmo predador de seus semelhantes a sociedade deu à MOEDA uma referência de valor fixada naquilo que era mais difícil de se obter e de ser mantida como uma representação de PODER.

Uma pessoa poderosa tinha mais representação à medida em que pudesse dispor de mais MOEDA fosse ela representada por ouro, prata, pedras preciosas, especiarias. Não precisava ser esta pessoa a mais forte, a mais inteligente ou até mesmo ser a mais capaz. Tinha que deter ela a maior quantidade de MOEDA que pudesse obter.

As histórias de Roma, da Grécia, mais do que as histórias Nórdicas ou do Oriente estabeleceram uma cultura de “ostentação” onde a representação de PODER se manifesta pela quantidade de MOEDA se acumulou. Na Cultura Oriental e na cultura Nórdica a representação de PODER se manifesta mais na tradição de valores pessoais que eram reconhecidos pelo grupo. Poderia ser a Força Bruta, poderia ser a inteligência e até mesmo uma visão de oportunidade de alguém capaz de agregar pessoas para legitimar alguma pretensão de posse.

Uma breve retrospectiva sobre o conteúdo histórico que recebemos na escola e pela vida, através de histórias contada por nossos pais, através de filmes, através de livros retrata os passos, tendências e interesses que nos envolvem e nos dirigem.

A Revolução Industrial, na cultura ocidental, deu partida à visão social e econômica que experimentamos hoje. Houve a conversão da MOEDA em CAPITAL como “o fator” determinante da produção. Ilustre homens explicaram e desenvolveram teorias econômicas dando suporte a uma transferência de renda de TERRA e de TRABALHO para o CAPITAL. Naquela época a TECNOLOGIA resumia-se apenas à mecanização e apesar de importante no processo produtivo não tinha “proprietários”. Hoje a TENCOLOGIA tem outra representação.

Antecedendo a Era Industrial, desde os primeiros tempos o homem como um ser empreendedor construiu ambientes para seu desenvolvimento pessoal e coletivo. Fez isso através de coletas de frutas e vegetais, através da caça e da pesca, através do cultivo e criação de animais e depois, através de viagens em que partiam para novas coletas, já desta vez, coletando cultivo e criações de outros povos através de saques e até mesmo através de capturas de outros povos levando-os à escravização e até mesmo tranformando pessoas em mercadorias.

Todas as conquistas, fossem elas pessoais ou em nome de nações, tinham como objetivos exclusivo acumular valor. Os valores acumulados não eram valores morais ou culturais ou de conhecimento. Eram valores que representavam naqueles tempos a MOEDA ou quase como sinônominos, o CAPITAL.

Todo o acúmulo de valor moeda significa uma cultura de priorizar o CAPITAL a todos os outros fatores de produção que determinam o progresso humano. TERRA, TRABALHO e CAPITAL precisam estar em harmonia para que o Fluxo de Produção se estabeleça e qualquer grupo possa colher os resultados desejados.

O Capitalismo representa a valoração do CAPITAL independentemente dele estar servindo como elemento necessário ao Processo de Produção. Não atende a interesses da Economia. Não atende interesses macro ou micro economicos.

O Capitalismo representa, também, uma cultura de favorecimentos, em que por conta de receber algum valor econômico agentes públicos, empresários, pessoas que possuem voz numa comunidade defendem uma vantagem pessoal ainda que ela traga prejuízo a toda a coletividade.

O Capitalismo representa, também, o desenvolvimento de mercados de negócios e de produtos (nichos de domínio) que beneficiem setores sociais ou determinados segmentos sociais mesmo que sua manutenção representem a exclusão da maioria dos consumidores ou ainda, que não permita que o MERCADO possa oferecer concorrência para melhorar a qualidade, a competição e o preço de qualquer produto ou serviço.

O Capitalismo representa a exploração de TERRA, de TRABALHO, o uso de TECNOLOGIA apenas voltado ao processo de acúmulo de CAPITAL e não a exploração de todos estes fatores voltados à PRODUÇÃO de BENS e de SERVIÇOS.

A ECONOMIA PARTICIPATIVA não é capitalista.

A ECONOMIA PARTICIPATIVA integra os fatores de produção de forma contributiva e propõe restabelecer a MOEDA como o fator CAPITAL em oposição a que, aparentemente, parece ter sido convertido o CAPITAL hoje, ou seja DISPONIBILIDADE ACUMULADA e LUCRO.

A ECONOMIA PARTICIPATIVA propõe:

  1. A distribuição da RBU – Renda Básica Universal e/ou RBU Renda Básica Universal e/ou RND Renda Nacional Distribuída disponibilizando CAPITAL – MOEDA ao MERCADO;
  2. A utilização de todos os recursos de Produção – TERRA – representado por todos os BENS disponíveis para a geração de Renda;
  3. A utilização de TODO TRABALHO disponível para o desenvolvimento do BEM ESTAR SOCIAL;
  4. O uso da TECNOLOGIA como ferramenta de melhoria nos processos de produção voltada ao BEM COMUM.

O FLUXO DE PRODUÇÃO será:

  1. FORNECIMENTO de recursos: RBU Renda Básica Universal e/ou ND Renda Nacional Distribuída;
  2. DESENVOLVIMENTO de produtos, de bens, de serviços com uso de tecnologia;
  3. DISTRIBUIÇÃO, CONSUMO e INCORPORAÇÃO de resultados das trocas em MERCADO;
  4. GERAÇÃO de RENDA e de RIQUEZA por participação e compartilhamento de meios de produção.

Para uma ECONOMIA PARTICIPATIVA esta é a proposta.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s